O Teatro das Idéias

Pela primeira vez na vida entendi porque existem críticos de arte! Na verdade, creio que existiam, pois até onde sei, não temos nada comparado a George Bernard Shaw hoje. Este livro é uma coletânea de várias críticas, cartas e prefácios escritos por Shaw sobre os mais diversos temas. Simplesmente incrível como podemos aprender com essas pessoas que sabiam muito sobre a vida e as outras pessoas. Não só o conteúdo é interessantíssmo, indo de relacionamento até política, religião e educação, mas o estilo caústico e direto de Shaw é muito divertido. Não me lembro de ter lido algum autor com tanta personalidade e poder de argumentação.

É bem verdade que fiquei boiando sobre várias de suas referências em relação a arte. Mas isso não me impediu nem um pouco de aproveitar as pérolas de sabedoria que ele nos oferece. É muito difícil lembrar de tudo que pensei lendo esse livro já que ele trata de temas sociais e grandes movimento da civilização. Contudo, gostaria de deixar registrada uma citação que me marcou sobre a definição de arte:

uma atividade por meio da qual um homem que experimentou um sentimento transmite-o intencionalmente a outros.”

ACHEI FANTÁSTICO!

Um último pensamento me perturbou durante a leitura desse livro. Como falei no início desse post, não existem mais Bernard Shaw. Não digo apenas bons críticos. Não existe mais divergência, não existe mais pensamento, creio que esse próprio livro esteja em iminente extinção. Este é o mesmo pensamento que tive após Fahrenheit 451. Não temos nem mais direita e esquerda! Não sei se eu estou muito mal informado, mas não existem opiniões diferentes, parece que chegamos a verdade absoluta sobre todos os assuntos. Ninguém é contra o aquecimento global, ninguém mais quer socializar as posses, ninguém consegue ser contra qualquer coisa. Os livros não vão acabar, mas os passo-a-passo e auto-ajuda estão em alta e os grandes clássicos de 500 páginas são pura decoração (nas lojas e casas). Alguém ainda conversa sobre livros em algum lugar?!?!?

Aos Nascidos Na Disney

Calma, vou explicar esse estranho título. Esta foi uma expressão que eu criei para designar um tipo de comportamento, para não dizer um estereótipo. Quando se diz que fulano “nasceu na Disney”, você quer dizer que esta pessoa vive no mundo da fantasia, onde tudo é belo e lindo. E, por favor, não confunda isso com ser otimista. Os nascidos na Disney, são pessoas que adoram a opinião comum e sempre utilizam ela como uma forma de não precisarem pensar na situação em suas camadas mais profundas. Devo ser honesto, já tinha criado esse termo há um tempo, mas a vontade de falar disto cresceu muito dentro de mim durante a leitura da Utopia, de Thomas More. A visão dos utopianos sobre as pessoas é extremamente simplória, que chega a ser engraçada. Agora fugindo só do assunto da Utopia que vai ser dito no seu respectivo post, e voltando para as conterrâneos do Mickey, no dia-a-dia, gosto sempre do exemplo da guerra. Os nascidos na Disney, sempre terão aquela famosa opinião quando questionados sobre a guerra, “a guerra é ruim e feia, porque mata muita gente.”. Então, eu pergunto: e qual é o problema de morrer? e qual é o problema do problema de morrer? e como seria diferente? e quais seriam os problemas desta diferença? e assim por diante…porque todas as questões podem ser vistas das mais diversas óticas e têm as mais diversas respostas.
Em suma, as pessoas nascidas na Disney, não gostam de se conhecer, nem de conhecer as pessoas em geral, portanto se apegam a visões parciais e incompletas das situações e não desçem as camadas necessária para um compreensão mais abrangente da situação, assim permanecem no mundo da fantasia onde o bonzinho está de um lado e o vilão do outro, sem ao menos ver que na verdade essa diferença dificilmente existe. Vou terminar com uma pergunta: Quem seria o melhor administrador Jafar ou Aladdin? Gaston ou a Fera?