Notas de um Velho Safado

Outro livro de Charles Bukowski. vou fazer esse post de maneira diferente. impossível definir um livro tão fragmentado como esse, por isso, irei apenas transcrever as passagens que mais chamaram a minha atenção.

obs: creio que todos que queiram mudar o mundo para melhor devam ler Bukowski para ter uma visão do mundo dura, honesta e sem ingenuidades.

 

Passagem 1:

“essa é uma velha tática profi. sempre fingir que você está compreendendo, mesmo quando você não está. as mulheres nunca querem sensibilidade, tudo que elas querem é uma espécie de vingança emocional em relação a alguém por quem elas têm uma afeição muito grande. as mulheres são basicamente animais estúpidos mas elas se concentram tanto e completamente sobre o macho que geralmente o acabam frustando enquanto ele está pensando em outras coisas.”

 

Passagem 2:

“e enquanto você fica chupando aqueles dedos você se vinga, se despede de um milhão, mata uma cerveja, e pro inferno com a cia. de luz, com a Fuller Brush, com máquinas receptoras de mensagens telegráficas e com o baixo ventre do Texas e suas mulheres malucas com cicatrizes que não irão desaparecer que choram e te fodem, te abandonam, escrevem cartas familiares todo natal, apesar de você ser agora um estranho, não via te deixar esquecer, Bruegel, as moscas, o Plymouth ’57 lá fora defronte à sua janela, a perda e o terror, a tristeza e o fracasso, o teatro, a grosseria, todas as nossas vidas desmoronando, se reerguendo, fingindo que tá tudo bem, arreganhando os dentes, soluçando. nós limpamos os nossos cuzinhos e os da outra espécie.”

 

Passagem 3:

“um intelectual é um homem que diz uma coisa simples de uma maneira difícil; um artista é um homem que diz uma coisa difícil de uma maneira simples.”

 

 

 

O Idiota

Mais um livro do Dostoievski. Mais uma viagem louca na cabeça de personagens complexos. Mais um mergulho de 400 páginas para contar um dia de história. É, tem que ter estômago e uma vontade muito grande de viajar na maionese para ler esse tipo de livro. Bom, eu gosto.

Logicamente, devido à profundidade dos personagens e diálogos é muito difícil tentar falar de um assunto ou outro dentro do livro, por isso opto agora por refletir um pouco sobre o personagem principal. Ele é um cara epilético, que passou boa parte da vida na pobreza, que não tem nenhum talento especial aparente e não conhece ninguém. Na maioria das cenas, ele é o último a reagir às coisas que acontecem, não parece se importar de ser enganado e acredita nos seres humanos com toda a sua alma. Em outras palavras, ele é um idiota.

Apesar dessa idiotisse superficial, ele é o personagem mais bondoso, esperto e inteligente. Possui uma opinião forte e profunda sobre muito temas e consegue ser amado por praticamente todos à sua volta. Ora, esse estado de simplicidade me lembrou muito as questões do “lenho tosco” ou “bloco” taoísta. O estado onde você não é nada e, por isso, pode ser tudo. O estado máximo de eficácia!

Mais do que isso, toda essa postura perante a vida me lembrou de um post antigo meu sobre “Os Nascidos na Disney“. No qual, eu, pela primeira vez na vida, me dei conta das nossas interpretações rápidas, superficiais e clichês da vida, sem uma análise mais completa. E ainda mais, comecei a pensar em todas as outras coisas que nos deixam tristes ou felizes na vida e cheguei a conclusão que: o conceito de bom e ruim fode a nossa vida. Nascido de uma premissa de que existe um caminho certo a ser seguido (ético e moral) e reforçado pela Igreja com a idéia de que existe uma “verdade” universal. Além disso ser de uma prepotência absurda, ainda é o caminho certo para a decepção e bloqueio do aprendizado.

Imagine uma criança que cresce sabendo que existem coisas boas e ruins na vida. Quando algo que ela quer que aconteça acontece, ela fica feliz. Quando algo que ela não quer que aconteça acontece, ela fica triste. Porém, nós não temos muito controle sobre isso. E, pior, não conseguimos prever os impactos das coisas na nossa vida, nem de longe. Na verdade, deveríamos querer viver a vida de peito aberto e ouvir o grito dos mortos (na minha cabeça eles gritam “viva a vida!”) tentando o máximo possível aprender sem magoar os outros ao invés de querer controlar e classificar as coisas para elas serem ou boas ou ruims. Até porque, aprendemos muito quando as coisas não sãem como planejamos!

Devemos nos manter mais idiotas!

O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio

Ahhhhhh……puta que pariu! Como eu queria ser mais como o Bukowski. hahaha Está ai, uma pessoa que sabe que o bagulho é visceral (expressão típica do movimento Cult Revolt, um dia explico). O cara fala tudo, da maneira que bem entende, e foda-se quem não gostar. De quebra, ainda dá lições de vida incríveis e é, logicamente, muito engraçado.

Eu já pensava em ler um livro dele a uns dois anos, mas não sei porquê, nunca li. Acho que eu já sabia que seria essa a sensação e estava guardando-a para um momento mais propício. Bom, para não enrolar muito, – ele não gostaria disso – o livro é, na verdade, um conjunto de várias notas que ele escreveu nos últimos anos de sua vida. Ele estava, pelo que me pareceu, mais ácido, mais rabugento e mais velho do que nunca!

Sei que a minha interpretação está sendo totalmente influenciada pelos meus pensamentos mais recentes, que ficam claros no último post, mas não consigo deixar de refletir sobre a questão da liberdade e de viver uma vida plena, sem peso. Porque não falamos tudo que queríamos falar para os outros? Qual é o medo? De ficarmos sozinhos? E já não estamos de qualquer jeito? Pior do que está, não fica.

Vivemos com muitos dedos, quando, na verdade, deveríamos estar babando e rasgando tudo. Engolindo o máximo e depois vomitando o excesso. Foda-se, diria ele. Passamos a vida tentando nos adequar, não desagradar ninguém, não magoar ninguém. Na escola, na faculdade, no trabalho, no namoro, na família, em qualquer lugar. E o que isso gera? Como diria outro sábio: viramos um rato corno brocha. haha Viramos uma porra de um rato encolhido, sem conseguir transar e ainda sendo traído. Não quero essa vida, obrigado.

Eu quero é viver de peito aberto. Apanhar e bater. Falar tudo que eu quis e ouvir muito pior. Reclamar que o mundo é uma merda e que as pessoas são um saco, na sua maioria. Ele, Bukowski, fala isso sempre. Pessoas vazias e idiotas que passam metade do seu tempo livre bebendo para ir para night e tirar fotos. Depois, acordam com ressaca e ficando vendo a porra das fotos e combinando a próxima bebeira. ISSO É REVOLTANTE. Elas seriam melhores empregadas puxando arados. #prontofalei

Vou aproveitar o momento de desabafo e falar mais. Afinal de contas, o papel aceita tudo e não responde. Continuando, ainda temos outras pessoas que totalmente ignorantes de si mesmas, ficam buscando soluções para suas frustrações e sofrimentos em lugares estúpidos. Gostaria de dizer para todas ela, “OLÁ, VOCÊ É A FONTE DE TODA MERDA QUE VOCÊ SENTE. PASSAR BEM.” Quase nunca faço isso. Vejo muito esse cenário, mas as fotos são mais importantes. Livro? Coisas do vovô. Tomará que sofram muito.

Do meu lado, não quero ficar frustrando com nó na garganta e coração apertado. O meu problema é um pouco diferente do parágrafo anterior. Eu, apesar de toda compreensão que o geral é mais importante que o indíviduo não consigo deixar de querer que o universo siga as minhas vontades. Nada mais justo, né? Assim, me frustro com planos supostamente perfeitos. Acho que li muito A Turma da Monica mais novo e aquele Cebolinha deve realmente ter me influenciado. haha A verdade é: o mundo está cagando para as suas vontades e o quanto tal coisa seria boa para você. As coisas acontecem apesar de mim. Às vezes eu ganho e às vezes eu perco. O que eu deveria estar tentando fazer (espero estar melhorando) é me manter flexível, retirar as amarras e ficar sempre pronto para aproveitar as tendências que aparecem, quando e se aparecerem.

Que fase!

O Zen e a Arte da Escrita

De tempos em tempos, eu preciso ser lembrado do valor e da energia que pode ser liberada em ler um bom livro. Como eu não fazia a um bom tempo, devorei esse “artigo” em menos de 24h. Foi engraçada a relação que criei com ele até mesmo na maneira de manipulá-lo. A minha fome era tão grande que, assim como um casal apaixonado, não consegui desgrudar minhas mãos, olhos e mente dele. Segurei-o durante esse breve, porém intenso amor, sempre ao meu lado para qualquer lugar que fui.

 

A ideia principal de Ray Bradbury era simplesmente dar uma dica para para novos escritores, no entanto, as “dicas” contidas nesse livro servem para qualquer ser humano. Qualquer um que já foi criança e sabe que ela ainda vive em algum lugar dentro de si. Mais do que isso, já percebeu que ela muitas vezes assume o controle. No meu caso, creio que percebi isso pela primeira vez no primeiro funeral que atendi. Lá, o Leandro de 25 anos estava tranquilo com a situação e sabia valorizar a morte, a passagem e a renovação, porém o Leandro de 9 ou 10 anos sofreu e chorou como se o mundo tivesse ficado menor, como se o time tivesse perdido um jogador, enfim….como uma criança. Foi incontrolável. Essa me parece ser a verdadeira força da vida.

 

O autor argumenta, como já é um consenso popular, que você só vai fazer algo bem se você amar o que faz. Só vai ser o melhor, se você trabalhar como se estivesse brincando. E é partir da nossa criança interna que conseguimos re-atar ou manter o contato com essa felicidade infantil, pura, toda força e direção. Esse é o ponto de partida para uma energia interna infindável e criativa.

 

Isso tudo fez muito sentido para mim. Não sei….senti vontade de rir, dançar e chorar pensando na minha própria criança….talvez eu até tenha feito isso, mas não estava lá para ver. Era ela. É só parar para lembrar das coisas que te deixavam sem dormir quando mais novo, e alimentar essa grande locomotiva. Porque parar de montar lego só porque completou duas décadas de vida? Gosta de colecionar selo? Sente falta das histórias do “Tá na hora de dormir”? Alimente a sua criança, deixe ela viver contigo hoje, que tudo fará mais sentido.

Com a idade, nós acabamos esquecendo que sentimentos, espírito e alma (não sei bem o limite de cada) não acompanham as regras da física. Dois corpos podem ocupar o mesmo espaço e até devem! Nós vamos ficando velhos e ignorando as contradições que acumulamos na vida. Sem aceitar e tentar desfazer esses nós, ficamos cada vez mais infelizes e sem consciência de nós mesmos. Começamos a sentir saudades de épocas nunca vividas ou culpa por não termos ajudados nossos pais quando ainda éramos muito jovens. Logicamente, isso não faz sentido e só traz sofrimento sem solução. Pensamos demais….definitivamente demais.

 

A criança não pensa demais, pois ela está muito ocupada em fazer e apenas ser. Ela é muito mais sábia. Ela é ágil no seu sentir, consegue estar triste como nunca antes e 5 minutos depois estar correndo com o vento no rosto e um sorriso. Ela não perde tempo com sentimentos inventados e regras arbitrárias. Ela não quer ao mesmo tempo possuir e não possuir. Duh!

 

Enfim, esse contato com o meu eu moleque foi e está sendo uma experiência intensa, uma verdadeira viagem em mim mesmo. Estava precisando disso e preciso de muito mais para desfazer os nós imaginários e as amarras fictícias que criei na minha mente e vida. Obrigado aos livros!

 

obs: quem quiser ler esse livro sugiro que leiam também o Fahrenheit 451 e as Crônicas Marcianas, ambas do mesmo autor.

Design para Quem não é Designer

Eu deveria ter lido este livro à 2 anos atrás. O conteúdo é perfeito para pessoas, que como eu, gostam de se meter a designer mas não tem noção do que estão fazendo e mesmo quando fazem direito não sabem o porquê. A autora Robin Williams preenche o livro com exemplos práticos de papelaria como cartões de visitas, folders, panfletos, etc..Os conceitos são simples de entender, porém não tão fáceis de se fazer. Vale muito a pena e já ajudam muito qualquer leigo.