Trem Noturno para Lisboa

Difícil definir este livro. Ele começa e termina sem fechar ambos os momentos, talvez faça parte da mensagem geral do autor sobre a vida: nem tudo faz sentido bonitinho. Para os curiosos, o livro relata uma mudança radical na vida de um professor de língua antigas ao esbarrar com um portuguesa aparentemente perdida. Esse evento junto com o achado de um livro obscuro de um escritor também português faz ele jogar a sua atual vida pacata para o alto e mergulhar numa busca por si mesmo através de outros que ele encontra pelo caminho.

A história é recheada de inúmeras pequenas discussões e reflexões sobre questões cotidianas, mas que somadas constituem a matéria mais sólida sobre a qual nossas vidas são construídas. Impossível retratar cada um dos pontos, melhor deixar os curiosos irem atrás.

Por fim, o livro termina, como eu já disse, com um impasse no momento que o personagem principal vai fazer um exame médico que está deixando-o bastante preocupado.

 

Acho que a lição final é: nunca é tarde demais para mudar, conhecer a vida e se conhecer melhor!

Relatório Lugano

Mais um livro dentro da infinidade de estudos/críticas sociais. Esse aqui foi escrito por Susan George e, como o título já diz, é um relatório fictício de um grupo de estudos fictício com “dicas” e orientações para um grupo de detentores de poder fictício de como manter o capitalismo imperando nos próximos séculos.

 

Honestamente, achei boa parte do livro bem chata e muitos dos argumentos fracos e mal sustentados. No entanto, acho que a grande contribuição que ele trouxe à discussão é: “Todas as pessoas tem direito à vida? É possível sustentar o mundo inteiro com crescimento desordenado? Precisamos gerenciar a natalidade ou mortalidade para não termos superpopulação? ”

Discussão dura e, até o momento, um grande tabu.

O Mal Ronda a Terra

Esse livro misturado com algumas outras coisas que tenho lido vai dar um belo caldo…livros como: Massa e Poder, O Leviatã, A Felicidade Paradoxal, 1984, Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451.

Logicamente, já deu para perceber que todos falam de estado e sociedade. Como nos organizamos e como vivemos. Isso tudo vale uma excelente discussão sobre a mentalidade moderna de que o Estado deve ser minimalista e que a iniciativa privada deve assumir diversos serviços sociais.

É justamente nesse ponto que Tony Judt consegue agregar aos grandes clássicos que citei acima. Neste livro, ele apresenta uma visão bastante contemporânea da situação trazendo de volta a figura do Estado de Bem Estar que foi totalmente, e talvez rápido demais, desmantelado pelos novos ideais neoliberais.

Outro ponto rico do livro são as pesquisas que comprovam todos os problemas sociais decorrentes das grandes disparidades sociais que são frutos diretos do livre mercado e do individualismo cada vez maior das nações que, por sua vez, é fruto do esvaziamento do estado.

Enfim, farei um post mais completo sobre todo o tema em breve, no blog LUZ. 🙂

Massa e Poder

Fiquei 6 meses lutando para terminar esse livro. Lia 5 páginas toda noite e esquecia 3 na manhã seguinte. Com certeza, vou precisar reler num futuro não tão próximo.

Esse livro é a base de praticamente todos os outros livros de antropologia que eu já li. O volume e a profundidade da análise sobre ferramentas, símbolos e mecanismos de poder e disposição das massas provavelmente não é superado em nenhum outro estudo e relato.

Nele, Elias Canneti, demonstra com metáforas e comparações com praticamente tudo desde a disposição das florestas de uma região até mitos antigos como a manutenção do poder evoluiu através da história e como as massas se comportam.

É difícil fazer alguma análise mais específica justamente pela dificuldade de sintetizar algo que li ao longo de seis meses, mas fica aqui o registro da frase que mais me chamou a atenção.

 

“Comparados à Igreja, todos os detentores de poder parecem pobres amadores.”

A Felicidade Paradoxal

Incrível livro base para qualquer um que queria se aprofundar um pouco mais no tema “Antropologia do Consumo”. O Autor, Gilles Lipovetsky, demonstra através de uma imensa quantidade de dados, pesquisas e referências como as mudanças tecnológicas, sociais e culturais dos últimos dois séculos colocaram o consumo como uma das atividades centrais da sociedade moderna ou até mesmo pós-moderna.

No entanto, ele não se deixa levar pelas visões preconceituosas e simplistas no estilo consumo-alienador ou consumo-fuga. Muito pelo contrário ele “cai dentro” de muitas visões erradas sobre o significado desse novo momento do hiperconsumo da experiência abrindo espaço para várias discussões importantes sobre as grandes tendências da sociedade e as consequências dos tempos modernos no nosso modo de viver e conviver.

Alías, essa é a grande questões debatida no livro: Estamos sendo mais felizes pelo aumento do bem estar material? Sem o intuito de dar uma resposta definitiva, a leitura desse livro, no mínimo, vai te levar para um novo patamar de compreensão.

Altamente recomendado.