Sobre Criar Algo Maior do que Você

Pensando sobre as maiores coisas que podemos fazer/criar na vida, mudei a minha ideia inicial de que seriam filhos. Acredito que filhos sejam, sem dúvida, a mais profunda, significativa e envolvente experiência, até em níveis transcendentais. Porém, filhos estão relacionados diretamente a você, são como uma parte sua que fica para a próxima geração. Sendo outra vida, será sempre do mesmo tamanho da sua própria, no entanto, com suas particularidades, claro.

Cheguei a conclusão, talvez pela minha experiência presente ou talvez por ser isso mesmo, que  criar organizações de pessoas, de todos os tipos, é realmente a única coisa maior do que nós mesmos. Logicamente, como eu não fundei nenhum país ou igreja, estou falando da minha visão enquanto sócio da LUZ.

Quando começamos um negócio, nós somos diretamente os agentes das melhorias e muito claramente conseguimos conectar nossas ações com o resultado obtido. Ou seja, eu faço um post para o blog e vejo esse blog ter milhares de acessos, eu crio uma campanha no Adwords e ela vende horrores, eu lanço um produto e ele é um sucesso.

O problema desse momento inicial é que você está limitado a si mesmo, pois consegue apenas realizar X coisas legais por vez. Dai, o caminho natural das coisas, é contratar outras pessoas para fazerem algumas das suas tarefas mais básicas, de modo a se libertar para atividades mais complexas.

A loucura disso tudo é que se você estiver realmente fazendo um bom trabalho de contratação, estarão entrando na empresa/organização pessoas ainda melhores do que você para realizar essas funções. Alguém que escreve melhor, faz marketing melhor, pensa em produtos melhores.

Em pouco tempo, você vai olhar para o lado e pensar “Se esse cara é melhor do que eu no que eu fazia, qual é a minha função aqui? Dei um tiro no pé? Como vou me manter vivo e importante nesse projeto que ajudei a criar? Será que tenho que me demitir para dar certo?”

Isso abre um buraco sob seus pés e você começa a duvidar se fez uma boa escolha. A tentação é voltar atrás e re-assumir o que fazia, afinal de contas, no momento de insegurança, parece ser melhor ser o peixe grande dentro de um lago pequeno.

Com o tempo, se você sobreviver a tenção, pistas vão aparecendo de que existe vida após as atividades operacionais do seu negócio. Você percebe que uma equipe foda não se forma sozinha. Você percebe que manter o propósito é difícil e que o jogo muda toda hora.

O que acontece é que quanto maior o tamanho da sua empresa, mais você precisa estar ajudando na manutenção e desenvolvimento das menores coisas, ou talvez elas sejam até as maiores mesmo. Sobre isso não consegui chegar a conclusão. Você começa a se preocupar não com contratações, mas com o tipo de profissionais. Fica fissurado no perfil. Talvez no próprio vocabulário. Sabe que não adianta só lançar um produto, mas que eles todos tem que entregar uma mesma experiência e faz esse link entre toda a equipe de lançamento e por ai vai.

O seu valor pro negócio, não é mais o output direto dentro daquela área, mas justamente conseguir pessoas que façam isso de maneira brilhante e conseguir fazê-las trabalhar juntas dentro de uma mesma visão de futuro da empresa. Os prazeres mudam. Neste ponto, volto um pouco a ideia de ter um filho, pois o seu prazer vira o sucesso da sua equipe e não mais a sua atuação, do mesmo modo que deve ser satisfatório ver seu filho se desenvolver.

No final das contas, esse é um processo muito bonito, pois faz você acreditar que pode ser mais e melhor. Esse é o próprio sinônimo do sentimento de estar vivo. Te joga para frente e fazer crescer mais que seus limites biológicos e mentais. Criar algo maior do que você mesmo é se substituir, se perder e se achar.

Onde está a Criatividade do Brasileiro?

Moramos no DITO país do improviso, no país da mistura, onde tudo magicamente acaba dando certo. Somos vistos como um povo alegre e efervecente no campo criativo. Foi uma colonização escrota, mas é isso que nos dá felicidade. Somos pobres, mas nenhum pais tem tanto recurso natural disponível.

O resultado disso é aquele sentimento clássico de estarmos quase lá. Como se fosse vivêssemos naquele paradoxo matemático de que se andarmos sempre a metade do caminho, nunca chegaremos no ponto final, apesar de estarmos infinitamente próximos dele.

Essa situação me faz refletir, onde está toda essa criatividade e, consequente, potencial? Quais são as manifestações tangíveis e evidentes dela? Senão, na hora de formular uma chegada na mulher ou de dar a desculpa para a patroa por chegar tarde em casa. Sem dizer nos infinitos tipos de golpes, sequestros falsos, cartões clonados, empresas falsas de empresa falsa. Até mesmo ressuscitar os mortos nós fazemos para enganarmos uns aos outros.

Não me levem a mal, vejo até algum valor nisso. Percebo nessas atividade criminosas a essência da capacidade de transgredir e de cogitar mundos diferentes e melhores. Infelizmente, esse tipo de criatividade acaba ajudando apenas poucos, como sempre o foi. Agora, se isso fosse aplicado ao bem comum, seríamos o país mais foda do mundo. Afinal de contas, nessa área somos imbatíveis, salvo um ou outro argentino ou italiano que se destacam.

Já nas discussões políticas, por exemplo, não parecemos evoluir na mesma velocidade das técnicas de clonagem de cartão. O que vejo são as pessoas “de ponta” repetindo tal qual um papagaio as velhas críticas criadas há dois séculos atrás como se fossem a novidade do momento. E estão satisfeitas consigo por isso. Talvez justamente por não se sentirem responsáveis pela implementação. Apenas deixar os amigos impressionados com a sua “cultura” já basta. Os mais ambiciosos querem sexo também.

Quando o óbvio é que se ainda não foi implementado, provavelmente essa ideia é uma merda e precisa ser trabalhada melhor. Quem ainda não se cansou de ouvir a ladainha de que a sala de aula é uma igual ao exército? Que a escola limita a criança e mata sua criatividade? Que as pessoas precisam aprender fazendo? Que precisamos ser agentes da nossa própria educação?

Isso é tudo legal – eu concordo com as diretrizes gerais-, mas provavelmente existem boas razões para ainda não termos chegado lá. Ou até mesmo, isso não é apenas ligar ou desligar. Existem degraus, etapas que precisam ser cumpridas. Como o fato da educação do jeito que é, ainda não ser nem mesmo uma realidade para a maioria da população. E, no final do dia, tudo que ouço é:

– Precisamos de mais escolas!
– Os professores são horríveis!
– Mas pelo que ganham devem ser mesmo!

E, por ai vai, mas ninguém para para pensar um passo a mais que seja. A questão da educação não é simples e nem pode ser resolvida dentro do âmbito da escola fisicamente falando. Será mesmo que precisamos de mais escolas ou escolas melhores? Precisamos de mais ou menos professores? Será que melhorar as estradas de uma região não seja a melhor solução para educação, pois vai permitir que pessoas de um raio maior de distância cheguem a ela? E a internet? Não seria possível fazer uma estratégia de distribuição de computador? Enfim, só para pincelar estamos falando aqui de opções que envolvem transporte e tecnologia como solução para educação. Nunca ouvi ninguém defender uma posição dessa com afinco, realmente acreditando no seu resultado.

Aproveito esse momento para dizer a mesma coisa sobre o transporte. Nas cidades grandes, o maior inimigo da vida parece ser o trânsito e, com ele, os carros. É um meio de transporte poluidor, egoísta, individualista, not cool. Concordo que os carros são escrotos mesmo, em especial, em em áreas de concentração urbana. Nesse contexto, tudo que ouço falar são bicicletas, ciclovias, compartilhamento e caronas. No entanto, novamente, as soluções de transporte parecem sempre envolver o próprio transporte, quando pouco se fala de uma proposta urbana. Como, por exemplo, re-planejar a cidade com a premissa de que todo adulto saudável deve andar 2 km por dia para se deslocar. ISSO COMO REGRA. Sem contar nos efeitos colaterais de acabar com os carros como os milhões de profissionais da indústria, para onde eles vão? Fazer trem? Ou o que? Sem essa solução, pode esquecer de acabar com os carros.

Enfim, essa unilateralidade na interpretação me incomoda e desencadeia reflexões ainda mais profundas para imaginar a sua causa. Neste ponto, não consigo deixar de pensar que a nossa mente cria de acordo com o que ela consome. Se entra informação ruim, sai ruim. Se entra limitada, sai limitada. O que quero defender é que existe uma gradação, de acordo com o tipo do conteúdo – não apenas sua qualidade intrínseca – que estimula mais ou menos a nossa capacidade criativa, nossa capacidade de pensar diferentes cenários e dimensões.

Para mim, a grande prova disso está na diferença entre ler um livro e ver um filme. Qualquer um que já tenha consumido o conteúdo nessa ordem (livro depois filme) sabe o que estou falando. Ao ler um livro, você tem espaço para imaginar todo o universo, visto que nem tudo está descrito. Você exercita a sua cabeça a decidir desde o rosto do personagem até os detalhes do ambiente como cor da cadeira. E, inevitavelmente, ao ver o filme, por mais perfeito que ele seja, você vai se sentir contrariado, pois o diretor terá feito várias escolhas no seu lugar, passando por cima da sua própria imaginação. Logicamente, se você só vir o filme, nem a oportunidade de ter imaginado algo mais rico antes você terá. Tudo lhe será dado já mastigado e altamente interpretado. As melhores cenas e falas escolhidas, assim como a aparências dos lugares e personagens.

E, mesmo dentro dos livros, existe a variação entre a prosa e a poesia. No mesmo mecanismo livro-filme, a prosa deixa muito menos espaço para imaginação e interpretações, pois normalmente segue uma lógica e é muito mais descritiva, do que a poesia, que é “incompleta” justamente para permitir diversas interpretações e é emotiva, para ser sentida. O verdadeiro auge da linguagem escrita, na minha opinião.

Fora os conteúdos tradicionais (livros, filmes, música, arte em geral), muitos argumentam que aprendem muito com a vida e com outras pessoas. Sim, adoraria que isso fosse verdade, mas a realidade é que a maioria anda mesmo com pessoas extremamente parecidas com ela a vida toda. Sem contar que se sentem ameaças com qualquer diferença indo do mais extremo como classe social até detalhes como estilos de se vestir diferente ou o corte de cabelo. Sentem verdadeiro nojo e preconceito de qualquer coisa diferente.

O grande público, a massa, quer mesmo é congelar o estado de “perfeição” que já se encontram. Como se suas vidas já tivessem alcançado o seu estado mais sublime e nada mais deva ser buscado. Na verdade, a única busca que parece existir é por algo que chamei de A GRANDE FOTO, isto é, aquele momento ideal que deve ser congelado para sempre. Algo que na minha visão é nosso hábito moderno mais mórbido.

Sobre a Felicidade

A felicidade está diretamente ligada a viver, de fato, o presente. Nada do bullshit de carpe diem que fez os romanos se afundarem no vinho, e que, alguns malucos desavisados tatuam no corpo, mesmo mantendo os mesmo hábitos fudidos de sempre.

Estou falando no sentido mais profundo de estar no tempo que é único, criado e gasto em um só momento. Morrendo no mesmo tempo que nasce. Como se fosse o fio da navalha mais afiada que jamais existiu. Mesmo tão pequeno e delicado, o presente é o único tempo que realmente existe. O passado é uma névoa de memórias que nunca vão voltar e o futuro, apenas suposições.

Quanto mais vivemos o presente, mais perto da felicidade nos encontramos, pois é quanto experimentamos o “estar vivo’. Na contramão, quando nos afastamos, entramos num estado de tupor e suspensão. Pensamos mais sobre o que passou e o que vai vir e entramos num mundo de simulações e suposições.

Não percebemos, mas estamos, mesmo sem saber, em uma constante busca pelo presente. Para mim, algumas situações deixam isso evidente. Por exemplo, quando viajamos (aliás, atividade cada vez mais desejada). Ao entrarmos num ambiente novo, em um lugar desconhecido, temos que tomar todas as decisões “banais”, desde o local aonde vamos dormir, passando por comer, passear até o simples conhecer de novas pessoas. Tudo isso nos leva ao presente, pois precisamos processar o mundo a nossa volta.

Outro comportamento que evidência essa busca, é a quantidade cada vez maior de consumo de drogas, como o álcool. Em uma análise mais minuciosa, a diminuição da nossa capacidade motora e de raciocínio, mesmo que de maneira negativa, força o corpo e a mente a se concentrar nas pequenas coisas do presente como falar corretamente e, em vários casos, conseguir andar! É um estado precário, mas a redução dos recursos te força a se ater ao presente, não viajando sobre passado ou futuro.

Por fim, ainda menos óbvio, mas altamente impactante, é a decisão do que fazer com a maior parte do nosso tempo desperto. Normalmente, chamamos de trabalho. Quando estamos em lugares ou funções nas quais tudo vira paisagem, nas quais você pode prever facilmente o que vai acontecer daqui há 5 anos, apesar do conforto no curto prazo, vamos nos tornando-o verdadeiros zumbis. Seres estranhos que nunca conseguem estar no mesmo espaço e tempo de maneira sincronizada. Sempre fisicamente em um lugar, mas mentalmente em outro.

O desafio e a imprevisibilidade são essenciais para ficarmos atentos e ativos, para sermos um pouco mais caçadores, sabendo que o alimento só virá com esforço e criatividade. Empresas que pensam nisso e criam as suas equipes baseadas na premissa do risco, entendem que a felicidade está ligada a viver o presente e, certamente, caminham para uma existência mais feliz.

Felicidade não se está, felicidade se é. Em graus diferentes.

Os Ricos Estão Sempre se Justificando

Desde a minha primeira aula de história, notei que os ricos estavam sempre querendo se justificar pela vida que levavam. A desconcertante pergunta que todo o resto do mundo não detentor de riqueza e poder fazia era “Porque você tem tudo e eu, que sou igual, não tenho nada?”

No início da civilização, a saída mais utilizada era a boa e velha legitimação divina que é perceptível desde os antigos egípcios até os últimos reis absolutistas da Europa. Ou seja, Deus assim quis e quem somos nós para questionar seu desígnio? Afinal de contas, no final todo mundo vai para o paraíso mesmo e não precisamos ficar de birra agora. (Leia-se Deus mandou e fodam-se vocês) 

Com a secularização do mundo, essa explicação parou de ser aceita e o questionamento voltou com tudo. Para contornar a crise, até as religiões, como a cristã (calvinismo) teve que se adaptar. Neste momento, o argumento era que as pessoas são diferentes devido ao seu mérito pessoal. Se você se esforçou, estudou, trabalhou, você vai ter o seu retorno e o “contrário” também era verdade. Se você é pobre e sem influencia, você deve ser um vagabundo, bêbado e ignorante. (Leia-se eu sou melhor e fodam-se vocês)

Mesmo assim, com o passar do tempo, mesmo esse modelo aparentemente justo, democrático e inclusivo foi posto em cheque, pois claramente acontecia das mesmas famílias de sempre continuarem a frente dos seus negócios privados. Os pobre simplesmente não conseguiam entrar no mercado e voltaram com a sua velha pergunta: “Porque vocês tem tudo e eu nada?”

(Em alguns dos livros do Bukowski ele, que é um dos exemplos mais estranhos de mudança de vida, se questiona como tantos poetas horríveis que ele conhecia se mantinham, até descobrir que eram bancados por suas famílias ricas. Faço também esse questionamento sobre a atualidade, principalmente dentro da nova moda que é o empreendedorismo.)

Claro que muitos – ricos – hoje se justificam através da bandeira do mundo melhor. Aparentemente, viver 10 anos numa tribo africana tomando picadura de mosquito é o novo ingresso para o céu e evita toda e qualquer necessidade de justificativa. Mas essa é a minoria menos interessante que preferiu se eximir da explicação.

Já a maioria foi em frente e buscou contornar a situação chegando a raiz da questão: “O problema é que a minha empresa é minha e não tenho como deixar um pobre entrar nela. Mas, e se eu criar algo que seja “aberto” para qualquer um entrar?”.

Mais uma vez eles conseguiram, criaram algo que chamamos hoje de Bolsa de Valores. Nome muito fortuito e é como o conta da carta roubada do Poe. A melhor maneira de deixar algo escondido e protegido é deixar tão exposto e aberto que ninguém vai suspeita.

Agora, os pobres tiveram que se calar de vez. Afinal de contas, hoje, o trabalho num bolsa de valores é considerado honrado e digno. Mais do que isso foi glamourizado durante décadas com filmes e histórias incríveis de sucesso e inclusão. Os ricos criaram a ferramenta mais maravilhosa para evitar perguntas indiscretas do pobres. Ela é a tão grande que parece que sempre existiu e dita tão importante que nunca poderá deixar de existir. É um mercado global de troca de dinheiro. Logicamente, de ricos para ricos. 🙂

A Bolsa habilita que qualquer rico fale “Eu sou rico, mas trabalho para caralho para conseguir isso. Veja como fiquei careca e broxa.”. Incrivelmente, esses caras, 99% das vexe,s moram nos bairros mais ricos da cidade, assim como seus pais e seus avós. Incrivelmente, bancos de investimento e assets, ficam nos melhores escritórios empresariais.

E o negócio melhora, pois para provar para o mundo que esse é um sistema totalmente inclusivo, vende-se a riqueza do dia para a noite e contam-se histórias periódicas de pessoas que começaram como Boys e subir para o cargo máximo. Isso aplaca os ânimos de todos e permite que o mundo durma tranquilo com a certeza de que tudo mudou para ficar igual.

A Democracia é um Governo para as Minorias. Não para as Maiorias.

“Minoria é um termo que criamos para designar a maioria da população.”

Eu vi essa frase em algum lugar um dia qualquer e nem lembro se era exatamente assim, mas está valendo. Quem quer que tenha criado ela, sinta-se reconhecido, por favor.

Enfim, ela é uma frase que ficou na minha cabeça por alguns anos e eu nunca soube o por quê. Até agora. Levando ela ao extremo, consiga finalmente delimitar uma parte do fracasso do modelo democrático. Sim, é um modelo inclusivo nos votos, mas isso basta para poder se chamar o governo do povo? Quem realmente acaba mandando desse tipo de gestão? Maiorias ou Minorias?

Em algum pais do mundo, que pratica a democracia, pode-se dizer que não é uma verdadeira minoria, no sentido matemático da palavra, que comanda e coordena? Não lembro de nenhum exemplo positivo.

Legal, todos votam. E os votos tem o mesmo peso. Mas de que adianta se a verdadeira moeda é o dinheiro, as posses e a influência? Com o sistema representativo, apenas uma pequena parcela da população DE FATO tem voz. O PODER está na mão de muito poucos. A decisão prática, não chega nem perto do povo, que tem que de 4 em 4 anos dar um tiro no escuro!

Uma das características mais naturais e profundas de qualquer ser vivo que conhecemos é se ajudar e ajudar os seus próximos. Não é a toa que Hobbes defendia o regime monárquico nessas bases. Ele dizia que “todo governante vai se favorecer e os seus próximos. Neste caso, é melhor que seja somente um (o Rei) do que vários (uma democracia).” Não é a toa que a gestão centralizadora de governos monárquicos ou impérios durou por milhares de anos! Algo estava sendo bem feito.

Pois bem, o pior de tudo do momento atual, é que estamos numa falsa sensação de participação. Pelo menos antes, era mais claro que mandava quem podia e obedecia quem tinha juízo. Agora, sentimos que somos dono de tudo, mas não somos donos de porra nenhuma. Qual a desculpa para isso? Antigamente, o modelo de representatividade poderia fazer algum sentido logístico. Do tipo, “é impossível todo mundo votar em todas as decisões.” Logo, designamos os melhores entre nós para isso.

O problema é que já é sabido que o poder corrompe. Não no sentido escroto da palavra, mas no sentido natural e completamente compreensível que eu já disse anteriormente. Mecanismo de defesa e de sociabilidade básico. Afinal de contas, se estiver empatado na sua visão, quem ganha? Um desconhecido ou sua mãe?

Então, voltamos ao berço da democracia, Atenas. Em qualquer caso de história da democracia ou de sistema exemplar, eles são citados. No entanto, deve-se compreender que apenas 10% da população de 400.000 participava como cidadão. Excluem-se nesta conta todas as mulheres, escravos e estrangeiros. Ok, legal que funcionava, mas 40.000 pessoas é um maracanã vazio, né?

Sim, mas eles também não tinham tecnologia. Energia elétrica, carros, internet. Porque temos um modelo até hoje baseado nas dificuldades práticas de 2.000 anos atrás? O modelo democrático não é, nem nunca vai ser das verdadeiras maiorias. Não enquanto ele se basear na representatividade. Quem precisa ser representado de 4 em 4 anos hoje em dia? Nós decidimos tudo. Desde o hotel que vamos ficar no outro lado do mundo, até a roupa do dia, a religião, sexualidade, lugar para morar. Porque não vamos decidir o orçamento do nosso bairro? Ou as prioridades da nossa cidade? Uma a uma.

Afinal de contas, o que é a democracia senão o governo dos ricos e influentes sobre os pobres e isolados? Deveríamos buscar a todoscracia.