O Zen e a Arte da Escrita

De tempos em tempos, eu preciso ser lembrado do valor e da energia que pode ser liberada em ler um bom livro. Como eu não fazia a um bom tempo, devorei esse “artigo” em menos de 24h. Foi engraçada a relação que criei com ele até mesmo na maneira de manipulá-lo. A minha fome era tão grande que, assim como um casal apaixonado, não consegui desgrudar minhas mãos, olhos e mente dele. Segurei-o durante esse breve, porém intenso amor, sempre ao meu lado para qualquer lugar que fui.

 

A ideia principal de Ray Bradbury era simplesmente dar uma dica para para novos escritores, no entanto, as “dicas” contidas nesse livro servem para qualquer ser humano. Qualquer um que já foi criança e sabe que ela ainda vive em algum lugar dentro de si. Mais do que isso, já percebeu que ela muitas vezes assume o controle. No meu caso, creio que percebi isso pela primeira vez no primeiro funeral que atendi. Lá, o Leandro de 25 anos estava tranquilo com a situação e sabia valorizar a morte, a passagem e a renovação, porém o Leandro de 9 ou 10 anos sofreu e chorou como se o mundo tivesse ficado menor, como se o time tivesse perdido um jogador, enfim….como uma criança. Foi incontrolável. Essa me parece ser a verdadeira força da vida.

 

O autor argumenta, como já é um consenso popular, que você só vai fazer algo bem se você amar o que faz. Só vai ser o melhor, se você trabalhar como se estivesse brincando. E é partir da nossa criança interna que conseguimos re-atar ou manter o contato com essa felicidade infantil, pura, toda força e direção. Esse é o ponto de partida para uma energia interna infindável e criativa.

 

Isso tudo fez muito sentido para mim. Não sei….senti vontade de rir, dançar e chorar pensando na minha própria criança….talvez eu até tenha feito isso, mas não estava lá para ver. Era ela. É só parar para lembrar das coisas que te deixavam sem dormir quando mais novo, e alimentar essa grande locomotiva. Porque parar de montar lego só porque completou duas décadas de vida? Gosta de colecionar selo? Sente falta das histórias do “Tá na hora de dormir”? Alimente a sua criança, deixe ela viver contigo hoje, que tudo fará mais sentido.

Com a idade, nós acabamos esquecendo que sentimentos, espírito e alma (não sei bem o limite de cada) não acompanham as regras da física. Dois corpos podem ocupar o mesmo espaço e até devem! Nós vamos ficando velhos e ignorando as contradições que acumulamos na vida. Sem aceitar e tentar desfazer esses nós, ficamos cada vez mais infelizes e sem consciência de nós mesmos. Começamos a sentir saudades de épocas nunca vividas ou culpa por não termos ajudados nossos pais quando ainda éramos muito jovens. Logicamente, isso não faz sentido e só traz sofrimento sem solução. Pensamos demais….definitivamente demais.

 

A criança não pensa demais, pois ela está muito ocupada em fazer e apenas ser. Ela é muito mais sábia. Ela é ágil no seu sentir, consegue estar triste como nunca antes e 5 minutos depois estar correndo com o vento no rosto e um sorriso. Ela não perde tempo com sentimentos inventados e regras arbitrárias. Ela não quer ao mesmo tempo possuir e não possuir. Duh!

 

Enfim, esse contato com o meu eu moleque foi e está sendo uma experiência intensa, uma verdadeira viagem em mim mesmo. Estava precisando disso e preciso de muito mais para desfazer os nós imaginários e as amarras fictícias que criei na minha mente e vida. Obrigado aos livros!

 

obs: quem quiser ler esse livro sugiro que leiam também o Fahrenheit 451 e as Crônicas Marcianas, ambas do mesmo autor.

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2 comentários sobre “O Zen e a Arte da Escrita

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